Como se traduz a confiança no mundo das empresas tecnológicas durante uma pandemia?

5 de Maio, 2020

A pandemia da COVID-19 está a afetar os níveis de confiança dos consumidores e das empresas. O mundo da tecnologia não é exceção à regra, e uma coisa é certa: a nova realidade provocada pela crise irá alterar a forma como as empresas de TI operam e se relacionam com os consumidores.

O mais recente relatório do Edelman Trust Barometer, disponibilizado em Portugal pela EDC, revela que, em tempos de pandemia, existe uma sensação crescente de desigualdade que está a minar a confiança nas instituições. As consequências da pandemia da COVID-19 estão a ter um impacto nos níveis de confiança e na relação entre as organizações e os seus colaboradores.

O estudo revela que, embora a tecnologia continue a ser o setor com o nível mais elevado de confiança, rondando os 75%, registou a maior queda global, nomeadamente em países como a França, o Canadá, a Itália, Singapura, a Rússia e os Estados Unidos. Para compreender como a questão da confiança em tempos de pandemia se traduz no mundo das empresas de tecnologia, a SAPO TEK conversou com Frederico Rocha, sócio da EDC, Alexandre Silveira, Diretor de Marketing da HP, e Rui Reis, Diretor Executivo da Mind Source.

A pandemia «desmistificou o conceito de trabalho a partir de casa»

Frederico Rocha afirmou ao SAPO Tek que, face à pandemia, se verificam comportamentos distintos nos dois segmentos do mercado das Tecnologias da Informação. «O segmento B2C (Business to Consumer) está a reduzir temporariamente as despesas devido ao receio do desconhecido e do que o futuro poderá reservar. O B2B (Business to Business), por outro lado, terá de continuar como habitualmente.»

Frederico Rocha afirmou que, embora as empresas sejam agora mais cautelosas no que diz respeito às despesas, isso não significa que não estejam a investir. Será necessária uma alteração nos níveis de investimento para se adaptar, por exemplo, à nova realidade do trabalho à distância, de modo a garantir a produtividade. O sócio da EDC explicou ainda que a pandemia «desmistificou o conceito de trabalhar a partir de casa», afirmando que, quando a situação regressar ao normal, as empresas passarão a encarar o trabalho à distância de forma diferente.

Alexandre Silveira, Diretor de Marketing da HP, afirmou ao SAPO Tek que os resultados do relatório «Edelman Trust Barometer» não comprometem a confiança dos consumidores na tecnologia nem nas empresas. «Tradicionalmente, quando os consumidores adquirem tecnologia, procuram o conselho de um especialista na área, seja um vendedor numa loja, um amigo entusiasta, um blogue de tecnologia ou um vídeo de unboxing no YouTube», revelou Alexandre Silveira.

Tal como Frederico Rocha, o Diretor de Marketing da HP, indicou que as marcas de tecnologia não são exceção à regra e irão sentir o impacto da evolução económica face à pandemia da COVID-19. Embora exista uma elevada procura em determinadas categorias de tecnologia para satisfazer a necessidade dos consumidores de encontrar soluções para trabalhar ou estudar a partir de casa, Alexandre Silveira explicou que, a médio prazo, «o comportamento da economia irá afetar as empresas e condicionar a sua atividade e os seus investimentos em Comunicação».

O que nos reserva o futuro pós-pandémico?

Embora considere que ainda é demasiado cedo para antecipar as tendências que surgirão após a pandemia, o Diretor de Marketing da HP destacou as novas competências em matéria de mobilidade e colaboração à distância rapidamente adquiridas por trabalhadores e estudantes. «Esta geração irá antecipar em muitos anos a visão de uma sociedade mais móvel, colaborativa, flexível e com grande domínio das tecnologias, o que influenciará positivamente a forma como as pessoas se relacionam com a tecnologia e a consomem.»

Para Frederico Rocha, a crescente aposta no digital será uma das tendências que moldará o futuro pós-pandémico. O sócio da EDC afirmou que as empresas que foram obrigadas, por exemplo, a «migrar» para o novo território das vendas online irão intensificar os seus investimentos no comércio eletrónico. Além disso, a nível empresarial, o enfoque no digital poderá intensificar-se em setores como a cibersegurança, o alojamento web e as comunicações entre empresas.

Rui Reis, Diretor Executivo da Mind Source, também tem uma visão positiva sobre o impacto da transformação a que as empresas foram obrigadas a submeter-se. «Acredito que haverá um enfoque no trabalho remoto, para que estejamos melhor preparados para o futuro. Haverá certamente grandes investimentos em segurança, hardware, aplicações colaborativas e Serviços na nuvem. Atualmente, as empresas já estão a aumentar os seus orçamentos de TI para fazer face ao surto da pandemia da COVID-19», salienta.

Fonte: SAPO Tek

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