A COVID-19 alterou o nosso quotidiano de muitas formas — algumas das quais poderão vir a ser permanentes —, obrigando-nos a redefinir o nosso conceito de «normal». A pandemia irá afetar os sistemas macroeconómicos e as economias, alterando profundamente a forma como trabalhamos e interagimos. Embora se trate de uma mudança abrupta e sem precedentes, representa também uma oportunidade para refletir sobre como pretendemos que o mundo funcione neste novo normal. Hoje, podemos reconstruir a sociedade de uma forma mais sustentável.
Estamos cada vez mais a constatar que a saúde humana e a saúde do planeta estão interligadas. Entre a vasta gama de estudos a que a EDC teve acesso, encontrámos um estudo recente da Universidade de Harvard que revelou que níveis mais elevados de poluição atmosférica estão relacionados com taxas de mortalidade mais elevadas por Covid-19, e alguns observam que a destruição do habitat causada pela desflorestação aproxima os animais dos seres humanos, aumentando a possibilidade de novas transmissões virais.
Faltam 10 anos para o cumprimento das principais metas de sustentabilidade
Este ano marca o 50.º aniversário do Dia da Terra e falta uma década para o cumprimento de metas fundamentais de sustentabilidade, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e o prazo estabelecido pelo Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas da ONU para evitar uma catástrofe climática. As partes interessadas, tais como investidores, a imprensa, os consumidores e as ONG, acreditam que a pandemia constituirá um ponto de viragem e que as empresas serão responsabilizadas pela forma como abordaram a sustentabilidade quando confrontadas com escolhas difíceis.
Todos concordamos num ponto: chegou o momento de debater e refletir sobre as alterações climáticas, a fim de evitar outra crise global existencial.
Esta é uma segunda oportunidade para repensar as nossas infraestruturas, as nossas cadeias de abastecimento e os nossos compromissos com a sustentabilidade. Poderemos ter de redesenhar a forma como trabalhamos e a disposição dos nossos escritórios — então, porque não aproveitar a oportunidade para os tornar mais eficientes do ponto de vista energético? Já estamos a observar benefícios ambientais significativos decorrentes da redução do tráfego aéreo e rodoviário — por que não aproveitar este momento para investir em transportes públicos mais ecológicos? Os setores da energia, do ambiente, da alimentação, da tecnologia, da logística e financeiro são apenas alguns dos que poderão ser fundamentais para oportunidades sustentáveis de reinvenção.
As parcerias público-privadas podem também constituir uma parte importante desta evolução. A resposta mundial à Covid-19 demonstrou com que rapidez e eficácia os governos, as ONG e as empresas podem trabalhar em conjunto para promover a mudança. A nível global, a Exxon colaborou com o Global Medical Innovation Center na criação de máscaras faciais para profissionais de saúde, e a Ventec, a General Motors e a StoptheSpread.org uniram esforços para fabricar ventiladores. Esta é uma oportunidade para aprender com estas parcerias e aplicar essas lições para melhorar a sustentabilidade do nosso sistema e alcançar um resultado vantajoso para todas as partes. A título de exemplo, o Trust Barometer da Edelman de 2020 revelou que a confiança nas instituições aumenta entre 13 % e 20 % quando estas estabelecem parcerias entre si.
Uma oportunidade para recomeçar
A globalização uniu-nos de forma indissociável — é o que torna possíveis as pandemias globais e é o que nos permite superá-las. Mas se aproveitarmos isto como uma oportunidade para reconstruir, em vez de nos limitarmos a ultrapassar a situação, poderemos sair desta crise mais bem preparados. Esta pausa na «rotina habitual» pode ser precisamente a oportunidade de que precisávamos.